Animais podem virar modelos

Muitos pais sonham em transformar seus filhos em mirins, para estamparem com seus belos rostos as propagandas e rótulos de produtos. Agora, quem não tem filhos mas possui animais de estimação pode ter o mesmo sonho. Com o crescimento do mercado pet, a demanda por animais cresce e estimula a de agências específicas para o setor.

“Há alguns anos, era difícil encontrar modelos animais”, conta a produtora fotográfica Ana Paula Amaral. “Eu precisava visitar muitos até encontrar o pet ideal, e me lembro de pensar que seria útil uma agência como a de modelos humanos, para a qual você liga e fala ‘quero um de tal tamanho e tal idade’”, conta Ana Paula. Mas a ideia de fundar uma agência desse tipo só surgiu depois, quando em 2006 a produtora adotou Lancelot, um beagle de nove meses. “Ele era tão sapeca que destruía a casa se ficasse sozinho. Comecei a levá-lo para o meu trabalho, ele logo fez sucesso com os fotógrafos e clientes, e passou a aparecer em comerciais”.
Os amigos de Ana Paula se interessaram pela carreira de modelo de Lancelot, e quiseram disponibilizar os seus pets para modelarem também. “Hoje eu agencio mais de mil cachorros, em diversas cidades do país”, afirma. Sua agência, a Cão Modelo, não exige que os animais tenham pedigree. “Eles só têm que ser dóceis, e atenderem aos comandos básicos de ou às ordens dos donos”, diz. O cadastro do animal é gratuito, e ocorre por meio do site da empresa. Então Ana Paula faz uma visita para conhecer o temperamento do bicho. “Seleciono apenas trabalhos que não estressem muito os animais. Não aceito quando eles têm que ficar muito tempo presos, esperando”, diz Ana Paula.
O estresse da vida de modelo pode ser ruim para os pets. “A sessão de fotos deve ser rápida, para o cão ou gato não perder o interesse”, conta Christian Agabiti, proprietário do Pegadas da Fama Studio. No passado, o fotógrafo também agenciava animais, mas com o crescimento do estúdio, o foco acabou sendo a fotografia. Lá, Christian faz trabalhos publicitários com os pets, e também tira retratos de bichos para seus donos – que muitas vezes estampam as fotos ao lado dos cães ou gatos.
Ao fotografar animais, é preciso ter jeito. “Alguns bichos são mais bagunceiros, e encaram a sessão como uma brincadeira: pulam na mesa, lambem a câmara, se enroscam no cabo do flash”, afirma o fotógrafo. Para chamar a atenção dos cães, sons ou brinquedos costumam funcionar. Já os gatos, mais desconfiados, precisam antes conhecer o ambiente.
Bichos menos convencionais, como répteis e pássaros, também podem ter seus cinco minutos de fama. “Trabalhamos até com animais silvestres, desde que eles sejam registrados no Ibama”, diz Deborah Zeigelboim, proprietária da Pet Model Brasil. Criada no ano passado, a agência funciona online. Os interessados devem preencher um cadastro com informações sobre o animal, e enviar algumas fotos. O custo do cadastro é de R$ 60 por ano, e os cachês variam de R$100 a R$300 por dia de trabalho. “Mas assim como em agências de pessoas, não podemos garantir que o animal terá trabalho. Funcionamos como uma ponte entre os donos e os clientes”, afirma Deborah.
Os donos que quiserem começar a carreira de seus pets de forma mais doméstica podem arriscar alguns cliques em casa. “O fundamental é a agilidade para capturar a pose do animal antes que ele se mova”, ensina o fotógrafo argentino Lionel Falcón, que trabalha exclusivamente com animais há 15 anos. Quem quiser se aperfeiçoar na arte de fotografar o bicho de estimação pode aproveitar a chance: Lionel oferecerá um curso sobre a fotografia de pets no dia 19 de fevereiro, em São Paulo. Os modelos para as fotos serão – claro – animais.
Serviços:
Cão Modelo Agência
Lionel Falcón
Pegadas da Fama Studio
Pet Model Brasil

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