Mercado Pet em Números


 Onde é a sessão de carnes, por favor?


O Brasil conta com 25 milhões de cães e 7 milhões de gatos nas classes A, B e C. Esta é uma das conclusões do levantamento Radar Pet, pesquisa encomendada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). A pesquisa identificou também que 44% dos lares das três classes possuem pelo menos um cão ou um gato.
A pesquisa Radar Pet tem base científica e foi desenvolvida para apresentar as características mais importantes do setor. Para isso, foram analisados diversos aspectos ligados a atitudes e preferências dos diferentes proprietários e núcleos familiares com relação à saúde, alimentação, cuidados e serviços relacionados aos seus pets. Para a elaboração do Radar Pet, a Comac contratou uma empresa especializada, a qual avaliou mais de 2,1 mil domicílios em abril de 2009, distribuídos em seis regiões do Brasil, as quais somadas representam 20% dos domicílios brasileiros. A idéia da Comissão, como expõe seu presidente, o médico veterinário Luiz Luccas, é atualizar esta pesquisa a cada dois ou três anos para observar a evolução do segmento no Brasil. Uma nova rodada está planejada para o começo de 2012.
Os números do Radar Pet ajudam a desmistificar algumas ideias pré-concebidas entre poder econômico e guarda de pequenos animais. Na classe A, por exemplo, 52% dos domicílios têm pets. Este percentual cai para 47% na classe B. Na classe C, são 36% dos lares com pets.
Para Luiz Luccas, “a presença de pets decresce à medida que a renda familiar cai. Isso é explicado pelo custo dos produtos para este segmento, especialmente num país com carga tributária equivalente a 50% do preço final dos produtos”. Ele comenta que no segmento de animais de companhia os impostos brasileiros estão entre os mais elevados do mundo.
Cães X Gatos
A pesquisa confirmou a preferência do brasileiro por cães. Entre os lares que optam por algum tipo de animal doméstico, eles representam 79% das escolhas, sendo que 10% preferem os gatos. Porém, no Brasil a população felina cresce mais rapidamente que a canina, apesar de ainda ser menor. Os lares que possuem as duas espécies ao mesmo tempo representam 11% do total.
Quanto aos dados divididos por classe econômica, os cães se destacam nos lares da classe A (85% das escolhas nesta categoria). Nas classes B e C, a escolha pelos cães é de 77% em cada uma. Quando analisadas em conjunto, as três classes atingem média de 1,55 cães por lar e 1,83 gatos. A maior parte dos lares opta por um único animal, sendo que 65% têm um único cão e 63% possuem apenas um gato.
Cuidados Veterinários
A estética de cães e gatos preocupa mais os donos de animais de companhia do que as visitas ao médico veterinário. Segundo Luis Luccas, “esta contradição deve-se ao fato de que não há no Brasil o hábito de cuidados preventivos com a saúde. É muito importante levar os pets regularmente ao veterinário, porém, na maioria dos casos os donos não compreendem o valor que isso tem e o impacto que isso causa na relação estabelecida entre ele e o animal”.
Apenas 24% dos proprietários de cães e gatos têm o hábito de levar seus bichos de estimação para consultas preventivas. 29 CRMV-PR
Se forem considerados aqueles que levam seus pets para tratamentos prolongados, este número cai para 11%.
Apesar desta aparente despreocupação com questões mais amplas envolvendo a saúde dos animais de companhia, a pesquisa identificou que 55% dos cães tomam banho semanal e 42% têm o pelo tosado – a maioria em locais fora de casa, com gastos médios por estes dois serviços de aproximadamente R$ 45,00. Em Curitiba, os gastos com banho e tosa estão acima da média nacional, cerca de R$ 70,00.
Embora estes sejam cuidados que reflitam também na saúde dos pets, questões como a cinomose, uma das mais importantes doenças que acomete os cães, está longe de ser erradicada do País, uma vez que hoje vacina-se regularmente cerca de 25% da população canina nacional. Durante a pesquisa, quando questionados sobre os principais receios relacionados à saúde dos seus animais, 16% apontaram pulgas e carrapatos e 13% revelaram não haver nenhum tipo de preocupação.
Comportamento
Nos lares brasileiros, a presença dos pets está bastante relacionada à figura feminina que, segundo dados da pesquisa, é responsável por cerca de 69% dos animais de companhia.
Esse dado revela que o papel desempenhado pela mulher na estrutura familiar reforça a presença do cão e do gato, como parte daquele núcleo. “A mulher na maioria dos lares é figura central. Como o cachorro faz parte da casa, elas acabam assumindo o papel de dona”, explica Luccas. Essa hipótese é reforçada quando os homens afirmam serem donos dos animais. Nessa relação, os pets não têm uma relação tão intensa na vida familiar.
Quanto maior esta proximidade, mais íntima ela fica, a ponto dos donos permitirem que os animais façam companhia na hora de dormir e de redobrar os cuidados com saúde e o conforto dos pets. Na maioria dos lares, 41% dos cães dormem em áreas externas e 23% dormem no mesmo quarto que os moradores da residência – no Rio de Janeiro este percentual chega a 31% e em Porto Alegre 29%; entre os lares de classe A ele se eleva para 35%. Já os gatos têm maior prestígio, sendo que 34% deles partilham a cama com seus donos.
“Essa proximidade traz uma série de benefícios a todos os membros da família. Para as crianças e jovens, essa companhia contribui desde a redução de ansiedade até o desenvolvimento da linguagem e das habilidades motoras, inclusive para fins terapêuticos. Já no caso de pessoas adultas e idosos, além do bem-estar psíquico proporcionado a elas pela presença de um animalzinho em seu cotidiano, os cuidados exigidos por eles estimulam os idosos a se exercitarem, melhorando também sua saúde física”, justifica Luccas.
São as crianças e jovens quem mais aprovam esta companhia: a pesquisa verificou a alta correlação entre o ciclo familiar e a presença de pets, sendo a relação com os filhos que determina a penetração de cães e gatos nos lares – isso é evidente uma vez que cerca de 40% dos lares com filhos jovens ou adolescentes possuem animais de companhia.
As pessoas realmente reconhecem o papel que os pets exercem no seu cotidiano, tanto que, nas casas onde não há animais de estimação, o que corresponde a 56% dos lares brasileiros, 38% afirmam que já tiveram um animal de estimação e, após sua morte, ainda não adquiriram ou adotaram outro. “Esse resultado também revela que a dor da perda representa o maior fator de dificuldade para se evitar uma nova tentativa”, conclui Luiz Luccas.

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